Pesquisa do TST revela avanço do assédio eleitoral nas relações de trabalho

Pesquisa do TST revela avanço do assédio eleitoral nas relações de trabalho

Uma pesquisa inédita realizada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) traçou um panorama do assédio eleitoral nas relações de trabalho no Brasil e revelou a diversidade de formas utilizadas para pressionar trabalhadores em razão de suas escolhas políticas.

O levantamento analisou 662 processos registrados na Justiça do Trabalho entre maio de 2023 e dezembro de 2025. Até agosto de 2026, o número de processos relacionados ao tema chegou a 738. São Paulo concentra a maior parcela, com 17,5% dos casos, seguido por Paraná (14,6%), Rio Grande do Sul (10,5%), Rio de Janeiro (7%) e Santa Catarina (6,3%).

Na análise qualitativa, que considerou 138 processos representativos de todo o país, o assédio institucional apareceu em 92% dos casos. Segundo o estudo, isso ocorre quando a própria organização permite, estimula ou legitima práticas de pressão política, inclusive por meio de gestores, ferramentas de comunicação interna ou utilização da jornada de trabalho para atividades eleitorais.

O terror psicológico foi identificado em 81,9% dos processos. Entre as estratégias estão narrativas de consequências econômicas ou sociais negativas caso determinado candidato seja eleito. Já o uso de meios virtuais apareceu em 67,4% dos casos, com destaque para o WhatsApp, utilizado para propaganda política, envio obrigatório de conteúdos e até monitoramento das redes sociais dos trabalhadores.

A intimidação econômica esteve presente em 61,7% dos processos, envolvendo ameaças relacionadas a salários, funções e emprego, além da oferta de vantagens em troca de apoio político.

O TST define assédio eleitoral como qualquer tentativa de influenciar, constranger, ameaçar ou pressionar trabalhadores para que apoiem determinado candidato, partido ou posição política. A prática pode incluir ameaças de demissão, exigência de participação em campanhas, fiscalização do voto e constrangimentos relacionados às preferências políticas.

Para as eleições de 2026, a Justiça do Trabalho intensificou o monitoramento dos casos e mantém magistrados em regime de plantão. Indícios identificados nos processos também devem ser comunicados ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Eleitoral.

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho (TST)

Link da notícia: https://www.tst.jus.br/-/pesquisa-da-justica-do-trabalho-traca-panorama-do-assedio-eleitoral-no-brasil?utm_source=chatgpt.com

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